1º Capítulo: A visita
Fazia já bastante tempo que estava internado naquele lugar, sem visita, nem minha mãe me visitava mais, ela não suportava ouvir os fatos. Os médicos não entendiam como uma pessoa como eu, que se comportava normalmente, em posse de minhas faculdades mentais poderia insistir naquela loucura.
Mas aquilo não era loucura, era a única forma que eu tinha de manter viva aquela realidade. Sempre preferi falar a verdade, mesmo que isso custasse minha sanidade. Era a forma que eu tinha de manter ela próxima a mim.
De certa forma, me manter ali era cômodo, não tinha que encarar os lugares que freqüentávamos juntos, não ver nenhuma foto, não ouvir nenhuma voz familiar. Era como querer soltar um cadeado, sabendo onde a chave está mas com medo de usar ela.
Minha vida ali era uma rotina diária, médicos, remédios e banho de sol. A situação era reconfortante, me distanciava da realidade do mundo exterior, embora aqui dentro, em meus pensamentos, sua lembrança nunca tivesse se apagado.
Naquele dia me anunciaram que alguém me esperava na sala de visitas. Fiquei surpreso.
Seria minha mãe? Em princípio seria a pessoa mais provável.
Poderia ser...? Não. Viajei em meus pensamentos. Fiquei sem ar, nervoso.
Aquela idéia me fez mal, precisava me acalmar.
Respirei fundo e fui, com muita expectativa, ao encontro da visita.
Quando entrei na sala, para minha decepção, era apenas uma doutora. Mais jovem do que as que eu costumava ver. Parecia mais uma estagiária.
Algo me chamou a atenção nela. Não havia identificação que confirmasse de onde vinha e o jaleco que usava não estava adequado ao seu tamanho, as mangas precisaram ser dobradas devido sua estatura menor do que a provável dono da peça.
Aproximei-me da mesa e com ar de dúvida:
- Posso lhe ajudar?. Ela me olhou como se me conhecesse de longa data, e com ar de intimidade estendeu sua mão para mim.
- Muito prazer Christophe, eu sou a Mariah. Com um olhar bem cativante.
- Muito prazer. Respondi automaticamente, agora mais curioso em saber o real motivo da visita.
- Você agora deve estar se perguntando o que é que eu vim fazer aqui. Não é? Ela estava muito preocupada com as pessoas a nossa volta, parecia não querer que nos escutasse.
- Será que podemos conversar no jardim? Perguntou a uma enfermeira que me acompanhava.
- Claro, fiquem à vontade. Respondeu tranquilamente à enfermeira.
Eu ainda me surpreendia com sua atitude. Não parecia uma especialista da área da saúde, não na forma convencional, afinal de contas, desde que estou internado aqui, já conheci tantos médicos, que aprendi seus protocolos.
Aquela visita estava mesmo inconscientemente, me fazendo bem, pois eu reparei que o sol estava radiante, a temperatura agradável. Coisa que para mim não tinha sentido há algum tempo, já que eu sentia todos os dias nublados.
Chegamos ao jardim e o silêncio da caminhada foi quebrado pela doutora.
- Você sabe de onde eu vim? Perguntou, sem olhar para mim.
- Seria de alguma universidade? Veio me examinar para elaborar alguma tese? Era o mais óbvio.
- Não. Eu não sou médica, nem vim de alguma universidade para te examinar. Me esclarecendo e achando engraçada minha resposta.
Fiquei intrigado, cessei os passos e a olhei profundamente:
- Então quem é você? Ela olhou para mim.
- Christophe, eu vim de uma cidade, Limeira do interior de São Paulo, uma cidadezinha longe daqui, você conhece? Ela recomeçou a caminhada.
- Sim conheço. Acompanhei pelos jornais as histórias dos desaparecimentos ocorridos em Nova Limeira. Além dos médicos e enfermeiros, somente alguns pacientes podiam ler jornal na clínica. Continuei, querendo saber até onde ela queria chegar.
- O que será que poderia ter sumido com aquelas pessoas? Falei ironicamente.
- Vampiros, não? Parecendo honesta na resposta.
- Poderiam ser aliens também? Mais irônico ainda. Ela sorriu para mim.
- Não. Os alien em Nova Limeira não matam. Falando como se isso fosse à coisa mais natural do mundo.
- Eu posso saber o que é que você quer comigo? Perguntei já um pouco nervoso.
- Eu só quero que você me ajude a encontrar o grupo de Narian. Olhando séria para mim, esperando que eu soubesse do que ela falava.
Eu sabia do que se tratava, mas ela disse o nome que não ouvia há anos, e aquilo me atingiu em cheio, como se ele estivesse me ofendendo, fiquei bravo.
- Não sei do que você está falando, quero ir para o meu quarto! Fugindo daquela palavra.
- Enfermeira! Enfermeira! Chamei desesperado para sair daquela situação.
- Não, por favor. Ela insistiu.
- Eu entendo o seu problema. Sei o que você está passando. Me dê uma chance. Me escute.
- Não! Eu não quero escutar mais, adeus! Voltei para dentro da clínica, e implorei para que ela não viesse atrás de mim. Se eu insistisse com o escândalo, eles iriam me sedar e proibir minhas regalias na clinica, se assim posso dizer.
Ela não me seguiu. Fiquei aliviado. Por um instante apenas. Mas eu sabia que minha atitude afastara a única pessoa que poderia me trazer de volta à realidade. Tratei-a como se fosse culpada pelo meu desespero.
Qual o real motivo de sua vinda até aqui? Fiquei me perguntando. Como ela tinha aquelas informações e como sabia que eu poderia lhe ajudar.
Nota do Autor
Agradecimento especial ao Gredson K. que fez a revisão!
Lembrando que é o meu primeiro livro, então estou indo bem devagar mesmo... kkk
Sou péssimo em português por isso sempre agradeço as revisões.
Até a próxima! Abs..
Comentários
muito bom cara.
parabéns ...
beijin *
Tá massa *-*
To adorando! \o