6º Capítulo: O tempo passa
Acordei com minha mãe fazendo alguma coisa na cozinha, tinha me dado conta que depois de tanto pensar havia cochilado, já era oito horas da manhã, levantei e fui ao banheiro. Chegando à cozinha sentei em uma cadeira de frente para minha mãe, ela me olhou sorrindo:
- Bom dia filho! Respondi igualmente sorrindo. Reparei que ela preparava um café da manhã incrivelmente exagerado.
- Mãe você não acha que senhora está exagerando só um pouquinho? Sorrindo, ela riu.
- Não, porque hoje teremos visitas e eu quero adiantar o trabalho. Falando nisso você não quer ir busca pão?
- Claro! Levantei, ela me deu uns trocadinhos,
- A padaria ainda é no mesmo lugar? Ela sorriu, e disse que sim.
Ao sair de casa o dia estava ensolarado e quente, não tinha me dando conta de como a minha cidade havia mudado, Americana era uma cidade do interior, a última vez que estive aqui, foi voltando de São Paulo porque estava desistindo da faculdade de advocacia. A minha rua eu a mal reconhecia, já não havia criança brincando, os carros eu já não sabia os modelos, a maioria das casas tinham sido reformadas, ficava me perguntando o que havia acontecido com o mundo nesse tempo.
O caminho até a padaria foi emocionante, a cada quadra que passava as lembranças iam ficando mais vivas, percebi que tudo havia mudado.
Quando estava voltando da padaria me deparei com um homem, alto, meio gordo, ele usava um óculos e andava de uma maneira engraçada.
Ele veio em minha direção, e me olhava como tivesse muita intimidade e falou:
- Chris? Christopher? Não acredito, é você mesmo?
Olhei assustado com a abordagem dele.
- Sim, sou eu, eu o conheço? Tentando reconhecer quem poderia ser. Ele ria de minha expressão de duvida.
- Puxa cara, se não se lembra de mim? Da faculdade, o Dener. Agora animado com a própria afirmação.
Eu o observei muito bem, e então um feixe de memória me veio daquele sorriso, Dener tinha sido meu amigo “irmão” na faculdade, ele sempre me ajudou muito, mais depois dos acontecimentos eu nunca mais o tinha visto.
- Claro que eu me lembro de você, como vai?. Dei um abraço forte correspondendo o gesto.
Dener apontou para o meu rosto.
- Nossa cara, você não mudou nada! Eu ri com a afirmação, ele continuou.
- Você sumiu cara, saiu da faculdade do nada, mais está tudo bem com você? Aquela afirmação mostrou que ele não sabia de nada que havia acontecido comigo, mais tinha certeza que ele devia ter escutado as noticias sobre o sumiço de Narian e a minha loucura.
- Sim está tudo bem, e você?. Respondi
- Comigo sim, terminei a faculdade, casei, tenho dois filhos? Falava meio entediado da própria vida. Fiquei pensando o quanto a vida é engraçada, às vezes nos sentimos parte das coisas de tal forma que nos magoamos quando percebemos “que não era bem assim”, Dener era como um irmão para mim, sempre pensei que iria vê-lo casado, e ser tio dos filhos deles e, de repente depois de 10 anos as coisas mudam, as pessoas mudam.
Percebi que com aquelas palavras, também já não era mais o mesmo, me via como um reflexo, talvez aquela fosse a minha vida se o tempo tivesse passado de forma natural. Fiquei sem responder por um tempo olhando, ele fez uma expressão estranha, achando aquela situação esquisita. Foi quando falei:
- Que bom Dener, mais agora eu tenho que ir meu amigo, minha mãe está me esperando. Ele fez um olhar neutro.
- Tudo bem, boa sorte viu. Apertamos a mão e eu disse o mesmo. E naquele ato simples senti que estava sendo finalizada uma amizade que pensava ser para sempre, a vida sempre me trazia surpresas, Dener foi uma delas.
Passei o dia inteiro em casa, durante a tarde alguns parentes foram me visitar para ver como eu estava, todos tinham envelhecido, me sentia em uma festa de final de ano, pessoas que só via em festas assim.
As visitas dos meus parentes fizeram me lembrar do meu pai, já falecido. Ele morreu quando eu tinha 15 anos por problemas pulmonares, meu pai sempre fazia a gente rir nesses encontros, ele fazia parecer divertido aquelas conversas de sempre.
Anoiteceu, e eu aguardava ansioso por outra visita de Mariah, mais ela não apareceu.
Sentei na sala desanimado até que minha mãe me observou:
- Filho, porque a doutora Mariah continua vindo aqui depois do seu tratamento? Pensei em uma mentira rápido.
- Não sei, talvez ela esteja me observando ainda para ver se não volto a ter outra recaída. Olhei para televisão.
- Ou vai ver que pode ser outra coisa. Ela me olhou como se soubesse o que estava havendo.
- Eu vou dormir querido, boa noite.
Fiquei um tempo na sala, pensando no que estava acontecendo com Mariah, porque ela não veio hoje?
Minha mente me deixa mais e mais confuso com as suposições de Mariah.
A história do veneno ainda não era suficiente, acreditar naquilo era complicado, aceitar o fato de que Narian me deixou era algo particular meu, e não efeito de um remédio que Mariah teria me dado. Eu espero que nos próximos dias Mariah me esclareça melhor às coisas.
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